sábado, 27 de janeiro de 2007

REVOLUÇÃO TÁTICA NO FUTEBOL!

http://noticias.uol.com.br/pelenet/revista/ult1334u1083.jhtm
09h11 26/01/2007


Folclórico Israel de Jesus clama para si status de revolucionário

Treinador e patrão da Matonense/SP, Israel de Jesus apresenta 'roleta' como sistema tático que mudará o futebol. Pagodeiro se compara a Schwarzenegger e Santos Dumont e aguarda reconhecimento.

Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net

SANTOS - Compositor, instrumentista, "manager" de futebol, técnico inovador, revolucionário. Tudo isso reunido num homem só. Citando Arnold Schwarzenegger e Santos Dumont, o folclórico Israel de Jesus, hoje cérebro e coração da Matonense, clama o reconhecimento da opinião pública em torno de sua genialidade ainda desconhecida do mundo. Para isso, acredita ardorosamente em suas duas armas: a música e o excêntrico esquema tático denominado "roleta".
O presidente e treinador da Matonense afirma ter trazido o samba ao futebol na tentativa de revolucionar o mundo da bola, carente de inovações táticas. Israel de Jesus promete inovar o conceito de disciplina tática com a apresentação do sistema batizado de "roleta", cujo diferencial em relação aos demais esquemas é a ausência de posições determinadas em campo.
A base do esquema de jogo futurista é extraída de ensinamentos da música. O recurso não surgiu à toa. Israel também é cantor e banjonista. Ele lançou seu sexto álbum, intitulado "A Força do Amor", que reúne canções de samba, pop, rap e hip-hop, além de um videoclip. As faixas musicais estão disponíveis gratuitamente na página oficial do clube interiorano.
Da música, Israel conta que absorveu para os gramados o poder de improvisação, a originalidade e a versatilidade, elementos vitais para a formação de um futebolista. Música e futebol têm tudo a ver, avalia.
"A idéia da roleta não veio do carrossel holandês [seleção da Holanda da década de 70]. Me inspirei na música para investir nesse esquema. O brasileiro é mestre na arte de criar. O Chico Science botou maracatu no rock, a Elis Regina inovou a MBP com maestria também. O mesmo músico grava samba e grava rock. Quero essa versatilidade no futebol. O jogador precisa ter todo o campo para apresentar seu talento. Não pode ficar numa área restrita. No futebol atual, ele 'nasce' com a camisa 4 e termina com a mesma numeração. Isso já era", argumenta Israel do Carmo, assim chamado no meio artístico.
Os jogadores da Matonense alternarão ao longo dos 90 min as funções de defensor, armador e finalizador. Apenas o goleiro fica fora da roleta. Para confundir ainda mais o rival, a numeração não segue os padrões do futebol. Um atleta de característica ofensiva pode utilizar a camisa 3, vestida habitualmente por zagueiros.
Com pretensão de abalar a estrutura do futebol mundial, Israel também almeja incrementar o samba. Paralelamente à vida de patrão e técnico da Matonense, ele concilia a carreira musical. Israel já fez parte do grupo Exaltasamba e produziu álbuns de diversas bandas do gênero, dentre elas o Katinguelê.
"Eu procuro pensar sempre à frente, seja no futebol ou na música. Esse é o meu jeito. Coloquei o banjo no samba, deu certo, mas também encontrei resistência na música, igual ao futebol. Acontece que a cultura brasileira é contrária a qualquer evolução", aponta.
Ansioso por colocar em prática a roleta, Israel conta os dias para estréia da Matonense na chamada segunda divisão de São Paulo -mas que equivale à quarta divisão. O time de Matão fará seu primeiro jogo no dia 8 de abril, embora a Federação Paulista de Futebol ainda não tenha definido o rival e nem o local da partida.
"O pessoal vai ficar de boca aberta quando a Matonense estrear no Paulista. O adversário não vai entender nada. O Paulista nem começou e já temos convite para fazer jogos na Coréia. Eles sabem que o brasileiro entende de bola e agora querem aprender conosco o lado tático", disse Israel, que tocará banjo na preleção dos jogos como parte da estratégia de união do plantel.
De acordo com o criador da "roleta", a implantação dessa nova filosofia tática erradica o maior defeito do atleta brasileiro: a resistência ao futebol coletivo.
"Não há posição fixa na roleta. Formamos sim o jogador de futebol. Não quero um lateral, mas um atleta que saiba jogar pelo lado. Tendo domínios de várias funções, ele será muito mais valorizado. O brasileiro tem fama de talentoso, mas também de mau profissional e de ter aversão a sistemas táticos. Estou formando jogadores talentosos e, mais do que isso, capacitados para assimilar qualquer determinação em campo", explica.
O difícil é convencer os atletas mais rodados a aceitar a invenção. "É muito mais complicado aplicar a roleta com atleta experiente. Ele não quer perder o espaço no meio-campo, não quer grandes inovações. Já a molecada entendeu perfeitamente o projeto, pois sabem que serão preparados para atuar em todas as funções, abrindo muitas portas na carreira", alega.

"Schwarzenegger" da bola?
A multiplicidade de funções, seja com a prancheta ou com o microfone, rende inúmeras contestações por parte dos torcedores da Matonense e das outras equipes então dirigidas por Israel. Termos pejorativos fazem parte da vida do treinador, tais como maluco, louco e charlatão; Ele rejeita essas classificações e se considera incompreendido.
Para corroborar a tese de que é perfeitamente possível conciliar com competência duas funções completamente distintas, o patrão da Matonense se vê na pele do ex-Exterminador do Futuro Arnold Schwarzenegger, que largou o cinema para governar a Califórnia-EUA.
"Fui muito humilhado, mas já estou conseguindo provar meu valor. Graças a Deus. Hoje muitos me agradecem. Acham estranho uma pessoa tentar revolucionar o futebol e a música. O Arnold Schwarzenegger não era fantástico no cinema e agora virou governador?", citou Israel.
"Alguns ainda me chamam de maluco, mas o Santos Dumont também era chamado de louco quando quebrava telhados", complementa.
A adoção do sistema "um por todos, todos por um" não é recente na carreira de Israel de Jesus. Em 2003, o treinador teve passagem pela Portuguesa Santista, seguindo para a São Carlense. Israel colecionou desafetos e polêmicas, chegando às agremiações por meio da Futura Esportes, empresa sua e que funcionava semelhante à parceria Corinthians/MSI.
Na Lusa santista, Israel foi expulso do clube após exibição de imagens em que tocava pagode com jogadores minutos antes de uma partida.
A união com a São Carlense se desfez de forma traumática. O clube chegou a entrar em campo com 22 atletas, 11 deles pertencentes à empresa de Israel e a outra metade montada pela diretoria da agremiação. Respaldado por uma liminar, o time "da diretoria" representou o clube no duelo; Israel se negou a sair de campo e, por isso, teve que ser guindado por policiais.
Apesar dos desligamentos dolorosos, Israel avalia que conseguiu na Matonense a oportunidade de, enfim, mostrar seu valor. "Aquilo tudo foi humilhante para mim. Mas depois viram que eu estava certo e que queria reestruturar a São Carlense e a Portuguesa. Dei a volta por cima, estou muito bem na Matonense e farei dela um grande clube", vislumbra Israel, eleito patrono da equipe até 2008.

PLÁGIO DE MURICY NO SÃO PAULO
Esperando o sucesso de seu esquema tático, Israel de Jesus tratou de patentear a roleta e espera ser lembrado pela invenção. Segundo ele, o técnico Muricy Ramalho, do São Paulo, já teria "clonado" a roleta, embora não tenha pedido autorização ao criador.
"O esquema sem posição fixa está todo ele registrado no Rio de Janeiro. Dizem que sou louco por insistir na tática, mas o Muricy, por exemplo, já vem adotando o meu esquema de jogo. Ele usa o Souza em vários setores. Não penso em processar alguém por copiar o meu esquema. Quero apenas que o torcedor associe essas estratégias ao Israel de Jesus", comenta o visionário treinador.
"Jamais o Leão, Luxemburgo ou Muricy vão admitir que um dia copiaram ou copiarão o Israel. Mas já fico feliz em saber que estou empenhado em mudar o futebol", finalizou.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Tô com o Tostão!

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São Paulo, quarta-feira, 24 de janeiro de 2007


Não existe uma única verdade

Se não houver lugar para Kaká, Ronaldinho e Robinho juntos na seleção, o último deveria sair e não Ronaldinho

NO ANO passado, Dunga convocou vários novos jogadores, mas manteve uma base e iniciou uma filosofia de trabalho e de jogo. Isso foi também importante para conseguir as vitórias. Os zagueiros Luisão e Juan, os volantes Edmílson, Gilberto Silva e Elano e os meias e atacantes, Robinho, Fred e Kaká, foram quase sempre chamados e escalados.
As maiores dúvidas do técnico da seleção foram na convocação dos reservas, dos goleiros, dos laterais e como colocar o Ronaldinho Gaúcho no time titular. A única novidade na convocação para o jogo contra Portugal foi Adriano, que voltou a fazer gols. Se não estivesse contundido, o meia Daniel Carvalho merecia continuar no elenco. Por outro lado, há volantes melhores do que Dudu Cearense.
Não gosto da escalação do Gilberto Silva e Edmílson juntos. São dois volantes com pouca mobilidade, que raramente passam do meio-campo. Deveria ser um ou outro. Dunga está convicto de que o time precisa ter três marcadores no meio-campo. Hoje seriam Gilberto Silva, Edmílson e Elano. Como é necessária a presença de um atacante mais fixo, sobram duas vagas para o Kaká, Ronaldinho e Robinho.
Tentaria escalar os três. Uma opção seria jogar com dois volantes, Kaká e Robinho abertos, um de cada lado, e o Ronaldinho livre e próximo do centroavante. Robinho e Ronaldinho trocariam de posição, como fizeram com sucesso na Copa das Confederações. Por ser mais leve, desarmar mais e atuar hoje no Real Madrid nessa posição, pela esquerda, Robinho teria mais funções defensivas do que Ronaldinho. Outra opção seria jogar com dois volantes, um meia com funções defensivas e ofensivas (Kaká), dois atacantes pelos lados (Robinho e Ronaldinho), que também recuariam quando o time perdesse a bola, além de um centroavante. Esse esquema pode ser chamado de 4-3-3 ou de 4-2-3-1. Não faz diferença. Essa formação tática está na moda na Europa.
Se dá certo no Barcelona, na seleção de Portugal e em outros times cada um com seus detalhes próprios porque não daria certo no Brasil? No Barcelona, o técnico Rijkaard, com razão, deixa o Ronaldinho mais solto, sem recuar tanto, para aproveitá-lo nos contra-ataques. Porém, Dunga está colado no passado, na seleção de 94, ou no padrão atual da maioria das seleções, que toma mais cuidados defensivos.
Não existe apenas uma única verdade. Se Dunga estiver com a razão e não houver lugar para os três, Robinho deveria sair, e não o Ronaldinho. Será o máximo da intolerância e da prepotência barrar o melhor jogador do mundo por questões táticas, a não ser em momentos especiais.
Paulistão São Paulo e Corinthians atuaram nos dois primeiros jogos do Paulistão no clássico esquema europeu, com dois volantes e um meia de cada lado bem aberto. Isso melhora a marcação no meio-campo, facilita as jogadas pelos lados, mas falta o meia de ligação, próximo dos dois atacantes, característica do Santos e dos times treinados pelo Luxemburgo. Já o Palmeiras, tenta repetir a filosofia do Paraná, de recuar, ter apenas um atacante fixo e contra-atacar com velocidade. Independentemente das vitórias e do número de gols, o Santos foi o time mais seguro e organizado até agora. Com as ótimas atuações do Kléber, Zé Roberto e Cléber Santana, os três maiores talentos do time, o Santos está melhor do que no ano passado. Mas ainda é cedo para prognósticos.